Você está juntando documentos para a cidadania italiana e chegou num ponto em que a lista de exigências parece clara, mas as dúvidas continuam: o que é essa tal Apostila de Haia? Ela vai no documento original, na tradução, nos dois? E se o consulado do país de destino não reconhece o apostilamento, o que acontece? Essas perguntas aparecem toda hora, e a confusão faz sentido: tradução juramentada e Apostila de Haia são etapas distintas, com funções distintas, e misturar as duas é o erro mais comum em processos de cidadania.
Antes de qualquer decisão sobre o seu dossiê, vale entender o que cada etapa faz. Porque apostilar sem precisar é dinheiro gasto à toa. Não apostilar quando é exigido pode significar refazer tudo do zero.
O que é a Apostila de Haia
A Apostila de Haia é um selo de autenticação internacional criado pela Convenção de Haia de 1961. Ela serve para um único propósito: confirmar que a assinatura ou o carimbo de uma autoridade pública em um documento é legítimo, dispensando o processo mais longo de legalização consular.
A apostila não certifica o conteúdo do documento. Ela certifica que quem assinou ou emitiu aquele documento tinha autoridade para fazê-lo.
Na prática, é um certificado emitido por uma autoridade competente do país de origem do documento, que é anexado a ele ou carimbado no verso. No Brasil, dependendo do tipo de documento, a apostila pode ser emitida por tribunais de justiça estaduais, cartórios ou outros órgãos autorizados.
Como funciona o apostilamento no Brasil
O processo de apostilamento no Brasil passou por mudanças relevantes nos últimos anos. Hoje, muitos cartórios extrajudiciais credenciados pelo CNJ podem emitir apostilas para documentos de origem notarial ou registral, como certidões de nascimento, casamento e óbito. Para documentos públicos federais ou emitidos por tribunais, o órgão competente pode variar.
Existem duas situações que geram mais confusão no processo de cidadania:
Apostila do documento original. Quando o consulado ou instituição de destino exige que o documento brasileiro original tenha apostila, isso significa que eles querem confirmar que aquela certidão, por exemplo, foi emitida por um cartório brasileiro legítimo.
Apostila da tradução juramentada. Quando a exigência é apostilar também a tradução, o objetivo é diferente: confirmar que a assinatura do tradutor público nomeado é autêntica. O tradutor público é um profissional habilitado pela Junta Comercial do estado, e a apostila da tradução confirma essa credencial para o destinatário estrangeiro.
As duas apostilas cumprem funções diferentes e uma não substitui a outra. A exigência de apostilar a tradução, o original ou ambos depende do consulado ou instituição que vai receber o documento. Confirme com o órgão receptor antes de agir.
Em quais países a Apostila de Haia é válida
A Convenção de Haia sobre a Supressão da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros conta, em meados de 2025, com mais de 120 países signatários. Entre eles estão Itália, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha, Austrália, Argentina e o próprio Brasil.


