Você está com a entrevista do visto americano marcada, recebeu uma lista de documentos e agora está tentando entender o que precisa ser traduzido, o que precisa de tradução juramentada especificamente e se a Apostila de Haia entra nessa conta. A dúvida é legítima, e o medo de levar algo errado para o consulado é ainda mais legítimo. Nenhuma formalidade mal resolvida aprova ou reprova um visto por si só, mas documentação confusa pode complicar uma entrevista que já é tensa por natureza.
A boa notícia é que as exigências consulares americanas para documentos brasileiros são mais objetivas do que parecem. O problema é que a maioria das fontes disponíveis mistura o que é obrigatório com o que é recomendado, e isso gera confusão desnecessária, gasto com serviços que não eram necessários e, às vezes, ausência de algo que era.
O que o consulado americano realmente exige em termos de tradução
O Departamento de Estado americano, que regula os processos consulares, não exige formalmente tradução juramentada brasileira para a entrevista de visto de não-imigrante (categorias B1, B2 e afins). O que ele exige é que documentos apresentados em idioma diferente do inglês sejam acompanhados de uma tradução em inglês que seja "certified" (certificada), ou seja, que o tradutor ateste que o conteúdo é fiel ao original.
No contexto americano, "certified translation" não equivale automaticamente à tradução juramentada brasileira. Significa que o tradutor assina uma declaração de fidelidade ao original. No Brasil, isso pode ser feito por meio de tradução juramentada ou de tradução livre com declaração de fidelidade, dependendo do que o consulado aceitar para cada tipo de documento.
Para vistos de imigrante (categorias como IR, F, EB e similares) e processos conduzidos pelo USCIS (United States Citizenship and Immigration Services), a exigência de "certified translation" é mais rígida e, na prática, a tradução juramentada brasileira é o formato mais seguro e amplamente aceito.
Quais documentos costumam ser solicitados e o que cada um exige
A lista varia conforme o tipo de visto, mas os documentos brasileiros mais frequentemente apresentados em processos consulares americanos são:
Documentos de identificação e estado civil: certidão de nascimento, certidão de casamento, certidão de óbito de cônjuge. Estes são os que mais frequentemente precisam de tradução juramentada, especialmente em processos de visto de imigrante.
Documentos financeiros: extratos bancários, declaração de imposto de renda, comprovantes de renda. Para visto de não-imigrante, o consulado aceita cópias com tradução livre acompanhada de declaração do tradutor. O valor concreto que aparece nesses documentos precisa estar claramente traduzido, então a qualidade da tradução importa.
Documentos de vínculo no Brasil: matrícula em escola ou universidade, contrato de trabalho, escritura de imóvel. O objetivo é demonstrar que o solicitante tem razões para retornar ao Brasil após a viagem. A exigência de tradução juramentada nesses casos é menos comum para vistos de turismo, mas pode ser solicitada pelo oficial consular a critério dele.
Certidão de antecedentes criminais: em processos de visto de imigrante, a tradução juramentada é praticamente padrão. Para visto de não-imigrante, a certidão raramente é exigida na entrevista, mas quando é, a tradução juramentada é o formato adequado.
